Anemia não tratada vira leucemia?

A anemia é frequente na infância.Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) , em países em desenvolvimento mais de 50% das crianças menores de 4 anos apresentam deficiência de ferro.

Mais comum entre crianças de 9 meses a 2 anos de idade, pode levar a sintomas como falta de apetite , palidez , sonolência excessiva .A causa mais comum é a anemia por falta de ferro .

A infância é uma época em que se faz a introdução da dieta da família .Muitas vezes essa fase de transição não é “bem aceita” pela criança, simplesmente porque é uma questão de aprendizado, e os pais, por inexperiência ou falta de orientação adequada, interpretam como a criança não gostando dos novos alimentos e deixam de insistir na oferta de alimentos saudáveis justamente numa fase da vida em que eles são tão essenciais.Oferecer alimentos saudáveis nem sempre é fácil.

Quais são os tipos de anemia?

Anemia ferropriva

Causada por uma concentração baixa de ferro nas hemoglobinas é a anemia mais comum na infância . Geralmente, a condição é desencadeada pela baixa ingesta de alimentos que possuem ferro como ovos, carne vermelha ou vegetais de coloração verde escura como o espinafre, além de leguminosas como o feijão e a soja.

Muitas crianças apresentam deficiência de ferro mesmo com uma boa alimentação. O que pode estar ocorrendo é a ingestão de leite e derivados após as refeições : um almoço rico em ferro será aniquilado se logo após a criança for alimentada com leite , materno ou não . O leite bloqueia a absorção de ferro!

O tratamento indicado para esse tipo de anemia é a reposição do ferro sob orientação médica.

Anemia megaloblástica

Este tipo da doença pode ser acarretada pela deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico, devido a carência da ingestão de alimentos ricos nessas duas substâncias como carnes, ovos, leite e seus derivados, leguminosas como lentilha e feijão-preto, além de vegetais de cor verde escuro, como o espinafre. Comum em dietas restritivas e vegetarianas.

As formas mais comuns de tratamento são, além da reeducação nutricional, a administração de medicamentos para repor os níveis de ácido fólico e da vitamina B12.

Anemia falciforme

Assim como as anemias hemolíticas, a falciforme também é hereditária. Os exames capazes de identificar a condição são o teste do pezinho e a  eletroforese de hemoglobina.

Traço falciforme não é doença! Trata-se somente de uma condição genética que irá determinar se a próxima geração terá ou não chance de filhos com a doença. Exemplo : pessoa com traço falciforme casada com outra pessoa também traço falciforme tem 25% de chance de filho com anemia falciforme.

Mas anemia vira leucemia?

Não. Anemia não vira leucemia . Leucemia é um câncer que afeta a produção de várias células no sangue , inclusive das células vermelhas .O que acontece é que um dos primeiros sinais da leucemia é a anemia , mas nesta doença , todas as células sanguíneas estarão afetadas e ao exame , a criança apresentará mais sinais .

Quais alimentos devo dar ou não para evitar ou tratar de anemia?

A anemia pode ser evitada desde o nascimento. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses supre a necessidade de ferro do bebê, porque o mineral presente no leite da mãe é bem aproveitado pelo organismo. Se você não puder amamentar, peça ao pediatra que receite uma fórmula – todas têm um aporte extra de ferro. O erro é dar à criança leite de vaca integral nos primeiros anos, porque ele é pobre no mineral.

Depois da introdução de alimentos sólidos, ofereça ao seu filho carne vermelha, caldo de feijão e verduras escuras, como brócolis e rúcula. Essas são ótimas fontes de ferro! Uma dica é combinar tudo com vitamina C, que facilita a absorção do nutriente pelo organismo. Pode ser uma fruta ou um suco de morango, laranja, mexerica . Mas sirva na hora, porque a vitamina se perde rapidamente em contato com o oxigênio e a temperatura ambiente.

O leite de vaca consumido em excesso não dá anemia . O que ocorre nestes casos é que o leite bloqueia a absorção de ferro se ingerido logo após as refeições , como almoço e jantar. Uma dieta rica em leite também geralmente tem poucos nutrientes : uma criança que mama muito , come pouco e com baixa qualidade .

Fica a dica.

Traço falciforme é perigoso?

O traço falciforme acontece quando o indivíduo herda de um dos pais os genes causadores da anemia falciforme, porém não manifesta os sintomas da doença.

No entanto, há a possibilidade de o portador transferir esses genes pra seus descendentes, que podem contrair a anemia falciforme, caracterizada pela deformação da hemácia que fica no formato de “foice”, fazendo com que essas células transportem com dificuldade o oxigênio no sangue e causem anemia.

Se este casal tiver filhos, as crianças podem nascer saudáveis, com traço falciforme ou com anemia falciforme. mas, nada garante que o primeiro seja saudável, ou que o último seja doente.

Precisa fazer acompanhamento ?

A criança com traço falciforme não tem doença , por isso não há necessidade de nenhum acompanhamento médico específico , como o hematologista .

Não provoca sintomas ou anemia.

Não há evidências científicas de que exercícios físicos de alta intensidade causem problemas para os que possuem o traço.

Contudo, a condição pode ter ação sobre os rins, diminuindo a concentração e aumentando a quantidade de urina. Resultado: mais idas ao banheiro. Entre mulheres com o traço, há maior incidência de infecção urinária na gravidez.

E o que é anemia falciforme?

A Anemia Falciforme é uma doença hereditária (passa de pais para filhos) que consiste numa deformação dos glóbulos vermelhos – enquanto a maioria da população tem os glóbulos vermelhos arredondados, os doentes falciformes têm os glóbulos vermelhos em forma de foice ou meia-lua.

É uma doença incapacitante que sem a devida assistência, diminui para menos de 50% a sobrevivência até à adolescência. Muitas destas mortes ocorrem antes do diagnóstico da anemia falciforme ser feito, sendo comumente devidas a infecções bacterianas ou anemia aguda.

A anemia falciforme é doença genética, não é contagiosa e não tem cura. Porém, existem tratamentos que dão à pessoa com a doença o direito a uma vida com qualidade e proporcionam à família conforto e segurança.

Anemia : doença comum com repercussões sérias

A anemia for falta de ferro atinge cerca de 50% da população infantil no Brasil , segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria . Doença comum e de repercussões sérias, tem pouca relevância para os pais . Não é raro atender pais despreocupados e relapsos com relação ao tratamento , por considerarem uma “doença comum”.

A anemia ocorre quando a produção de glóbulos vermelhos diminui, deixando a concentração de hemoglobinas abaixo do normal. Esta importante proteína absorve e transporta oxigênio aos tecidos e sua baixa concentração compromete o bom funcionamento do organismo. O tipo de anemia que mais afeta as crianças é a ferropriva, de origem nutricional, decorrente da diminuição da ingestão de ferro dos alimentos.

A prevenção é simples, com uma dieta equilibrada e que contenha alimentos ricos em ferro. Com a alimentação complementar introduzida à dieta da criança, é importante incluir itens como frutas, verduras e legumes, ricos em ácido fólico e ferro.

O leite materno é uma importante fonte desse e de outros nutrientes para os bebês, especialmente até os seis meses.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico é feito através de um exame de sangue simples , o hemograma completo.Se o resultado confirmar que seu filho tem anemia, não precisa se desesperar. O tratamento é simples: a criança tomará suplementação de ferro medicamentosa, para suprir a carência do nutriente e equilibrar os níveis de hemoglobina.

O problema é o tempo de tratamento , cerca de 3 meses. É comum os pais deixarem de medicar a criança após o segundo mês e não retornarem para uma nova avaliação clínica.

Outro entrave é a mudança dos hábitos alimentares. Os pais oferecem muitos laticínios ( leite e derivados ) e carboidratos , com pouca variedade de frutas e verduras . Para a criança anêmica, só o tratamento não basta , tem que mudar a dieta . Só assim se faz alcança a cura e a prevenção.

Problemas decorrentes da anemia

É fundamental entender que a anemia é o último estágio da carência de ferro.Os primeiros sinais são palidez, fadiga, fraqueza, sono excessivo e inapetência.

A criança deixa de ganhar peso e o apetite diminui. A imunidade cai e o bebê fica doente com mais frequência . Com o desenvolvimento do quadro de anemia , as infecções se tornam mais graves , de resfriados a pneumonias , infecções rede ouvido .

O rendimento escolar é menor . A criança fica apática e distraída , com dificuldade de aprendizado e memória. Estudos recentes demonstram que uma anemia não tratada na infância pode reduzir em até 34 pontos o QI na fase adulta.

Os glóbulos vermelhos levam oxigênio e nutrientes ao cérebro . Se há uma redução do número de células,o sistema nervoso e outros órgãos são afetados , de forma irreversível.

Novas recomendações de suplementação de ferro

Todo pediatra segue a recomendação do Programa Nacional de Suplementação de ferro do Ministério da Saúde , que preconiza o uso do ferro por via oral para bebês a partir do sexto mês até os 2 anos de idade .

Mas , após novo consenso da Sociedade Brasileira de Pediatria, publicado em 2018 , a suplementação com ferro deve ser iniciada aos 3 meses de idade e mantida pelo menos até o segundo ano de vida, independentemente do regime de aleitamento.

Fica a dica .