Toda criança tem seu tempo ?

Volta e meia, na minha página do Facebook, me deparo com algum comentário do tipo “estou preocupada porque meu filho tem 2 anos e meio e ainda não fala”. Inevitavelmente, surge alguma mãe repetindo a máxima de “toda criança tem seu tempo”.

Será mesmo que cada criança tem o seu tempo ?

Não ! Quando falamos em marcos do desenvolvimento,sabemos que um dos principais sinais de que uma criança possui alguma deficiência cognitiva ou intelectual, é o ATRASO COM RELAÇÃO ÀS DEMAIS CRIANÇAS DA MESMA IDADE.

Muitas mães demoram a perceber que seu filho possui algum atraso devido a dificuldade em admitir este fato. Mas a verdade é que não podemos considerar que cada criança tem seu tempo e imaginar que de uma hora para outra a criança disparará a fazer uma tarefa que ela não desenvolveu.

Sim, cada indivíduo é ÚNICO, pois tem sua própria história de vida, sua composição genética e vive dentro de um contexto específico de aprendizagem. Mas, existem os MARCOS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL, ou seja, atitudes que são esperadas em cada faixa etária. Ficar esperando que a criança aprenda por si só é muito perigoso.

Sair das fraldas , segurar um lápis são marcos do desenvolvimento

A questão é que devemos sempre estar atentos as crianças da mesma idade dos nossos filhos, tanto com relação a fala quanto com relação a diversos outros fatores como psicomotricidade, senso de direção, desenvolvimento escolar e social , e verificar se o desenvolvimento das crianças está seguindo o padrão de acordo com a determinada faixa etária.

O que são marcos do desenvolvimento?

Os marcos do desenvolvimento infantil são referências usadas para acompanhar o crescimento dos pequenos. Por esse motivo é tão importante ficar por dentro do assunto.

Marcos do desenvolvimento:

• 2 meses : sorri quando conversam com ele , mexe ativamente os braços e pernas .

• 4 meses : sustenta o pescoço quando de bruços , ri ( gargalhadas) , segura objetos .

• 6 meses : localiza o som , leva a mão a boca com frequência e começa a estranhar pessoas que não são do seu convívio.

• 8 meses : senta sem apoio , brinca de esconde/achou , transfere objetos de uma mão para outra .

• 12 meses : anda com apoio, imita gestos como bater palmas , começa com algumas palavras .

• 18 meses : anda para trás , fala até 3 palavras , usa colher ou garfo .

• 2 anos : chuta bola , tira a roupa , pula com os dois pés, consegue formar frases simples com 2/3 palavras .

• 4 anos : saída total das fraldas , brinca com outras crianças , pula em um pé só , veste-se sozinha.

E se ele não está fazendo ?

O seu pediatra é a pessoa mais indicada para você conversar sobre o desenvolvimento do seu filho. Em caso de dúvidas e inseguranças, não hesite em procurá-lo para se acalmar. Se for necessário, ele indicará o acompanhamento de outros profissionais.

Meu filho ainda não fala, será que ele é autista ?

O autismo é uma condição de saúde que costuma ser identificado na infância, entre 1 ano e meio e 3 anos, embora os sinais iniciais às vezes apareçam já nos primeiros meses de vida nos casos mais graves .

O distúrbio afeta a comunicação e capacidade de aprendizado e adaptação da criança. O desenvolvimento físico é normal. A criança apresenta grande dificuldade para firmar relações sociais ou afetivas e dão mostras de viver em um mundo isolado.

Todas as pessoas que têm autismo apresentam sintomas em comum como dificuldades de comunicação, interação e comportamento social, além de terem, na maioria das vezes, comportamentos rotineiros e repetitivos. No entanto, os sinais de autismo vão afetar cada pessoa de maneira e intensidade diferentes, dependendo de fatores como o grau de comprometimento, associação ou não com deficiência intelectual, e com presença ou não de fala.

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Atualmente a ciência fala não só de um tipo de autismo, mas de muitos tipos diferentes, que se manifestam de uma maneira única em cada pessoa.

Para definir a grande abrangência do autismo, usa-se o termo “espectro”, pois há vários níveis de comprometimento — desde pessoas com outras doenças associadas (chamada de comorbidades), como deficiência intelectual, até pessoas que têm uma vida comum, independente, porém, algumas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram esse diagnóstico.

Para entender melhor, imagine um dégradé, que vai de cores muito escuras, em que se encontram os casos mais graves, até os tons mais claros.

Sinais de atenção

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É claro que os sinais ficarão mais nítidos após os 3 anos, mas alguns indicativos desde bebê podem servir como alerta, como a criança ficar parada no berço, sem reagir aos estímulos, e evitar o contato visual. E os sinais vão muito além de um atraso de fala .

• Não manter contato visual por mais de 2 segundos;

• Não atender quando chamado pelo nome;

• Isolar-se ou não se interessar por outras crianças;

• Alinhar objetos;

• Ser muito preso a rotinas a ponto de entrar em crise;

• Não brincar com brinquedos de forma convencional;

• Fazer movimentos repetitivos sem função aparente;

• Não falar ou não fazer gestos para mostrar algo;

• Repetir frases ou palavras em momentos inadequados, sem a devida função (ecolalia);

• Não compartilhar seus interesses e atenção, apontando para algo ou não olhar quando apontamos algo;

• Girar objetos sem uma função aparente;

• Interesse restrito ou hiperfoco;

• Não imitar;

• Não brincar de faz-de-conta.

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Hiper ou hiposensibilidade também podem se manifestar de forma diferente nos cinco sentidos da criança que se enquadra no espectro autista. Por exemplo: na audição, ela pode se sentir incomodada em locais barulhentos ou ter afinidade com alguns sons.

No paladar, ela não tolera determinados sabores – por isso, insiste em comer sempre os mesmos alimentos. E nos dias frios, enquanto você usa um casaco pesado, a criança pode dispensá-lo – a hiposensibilidade tátil faz com que ela não tenha a mesma sensação de temperatura que as demais. Quando se machuca, talvez não sinta dor, por exemplo.

O espectro autista pode vir acompanhado de deficiência intelectual. Há casos, no entanto, em que a criança apresenta alto funcionamento – ou seja, é capaz de memorizar a lista telefônica inteira, mas não entende qual a utilidade dos números, por exemplo.

Na síndrome de Asperger, outro quadro do espectro, a pessoa pode não ter problemas no desenvolvimento da linguagem. Ela se interessa por assuntos específicos: sabe tudo sobre dinossauros ou avião e se restringe a só a um tema.

O que fazer ?

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Converse com o seu pediatra e consulte um neurologista infantil em caso de dúvida . Não há exame específico para o diagnóstico.

O autismo não tem cura, ou seja, uma criança diagnosticada com autismo, seguirá autista durante toda as fases da sua vida, a diferença está no desempenho dessas pessoas, que, ao ser diagnosticadas como autista devem buscar acompanhamento médico e psicológico, para que ela possa desenvolver adequações sociais mais eficientes.

Ou seja, quanto mais cedo o autismo for detectado e quanto mais cedo ele for trabalhado, mais eficiente será o tratamento.

O tratamento para autismo é personalizado e interdisciplinar, ou seja, além da psicologia, pacientes podem se beneficiar com intervenções de fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros profissionais, conforme a necessidade de cada autista. Na escola, um mediador pode trazer grandes benefícios, no aprendizado e na socialização.

Novo método de diagnóstico do autismo

O autismo é um transtorno que causa alterações na capacidade de comunicação, interação social e comportamento da criança, o que provoca sinais e sintomas como dificuldades na fala, bloqueios na forma de expressar ideias e sentimentos.

Os sinais de autismo surgem, geralmente, por volta dos 2 a 3 anos de idade, período em que a criança tem uma maior interação e comunicação com as pessoas e o ambiente. Em alguns casos, já é possível observar alguns sintomas de alerta já em bebês, como a ausência de expressões faciais , a ausência reação aos sons ou atraso de fala.

Mitos

Há alguns mitos em relação ao autismo que precisam ser desfeitos. São eles: a falta de emoção, a agressividade, o retardo ou a genialidade e o balanço, ou seja, o mito de que todos os autistas balançam-se para frente e para trás. A realidade é que não existe um padrão fixo para todos os autistas.

No entanto, a falta de informações confiáveis faz com que os pais neguem o autismo quando não vêem esses estereótipos nos seus filhos. É preciso aceitar o quanto antes a doença para que, encarada de frente, possa ser combatida e superada.

Como saber se é autismo

No autismo leve, a criança apresenta poucos sintomas, que podem muitas vezes passar despercebidos.

Já no autismo moderado e grave, a quantidade e intensidade dos sintomas se tornam maiores. Os sintomas que podem ser apresentados por qualquer criança autista, incluem: 

1. Dificuldade na interação social

• Não olhar nos olhos ou evitar não olhar nos olhos mesmo quando alguém fala com ela, estando bem próximo;

• Não gostar de carinho ou afeto e por isso não se deixa abraçar ou beijar;

• Dificuldade em relacionar-se com outras crianças e prefere ficar sozinho;

• Repetir sempre as mesmas coisas, brincar sempre com os mesmos brinquedos.

2. Dificuldade de comunicação

• A criança sabe falar, mas prefere não falar nada e mantém-se calada por horas, mesmo quando fazem perguntas para ela; 

• Repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas;

• Não atender quando é chamado pelo nome;

Alterações comportamentais

• Não tem medo de situação perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros ou chegar muito perto dos animais como cães de grande porte;

• Brincar com somente uma parte de um brinquedo, como a roda do carrinho, por exemplo, e ficar olhando e mexendo nela;

• Leva o braço de outra pessoa para pegar o objeto que ela deseja;

• Dificuldade a se adaptar a uma nova rotina ficando agitado, podendo se autoagredir ou agredir os outros;

• Ficar passando a mão em objetos ou ter fixação por água;

• Ficar extremamente agitado quando está em público ou em ambientes barulhentos.

Na suspeita destes sintomas é indicada a avaliação pelo pediatra ou psiquiatra infantil, que poderá fazer uma avaliação mais minuciosa de cada caso, e confirmar se é autismo .

Qual é a idade ideal para o diagnóstico?

O fundamental é que o diagnóstico do autismo seja feito antes dos três anos de idade. Em nenhuma outra época da vida nosso cérebro é tão plástico como nesse período inicial. Portanto, se a criança nascer com predisposições adaptativas desfavoráveis, esses primeiros três anos constituem o melhor momento para se tentar resolver suas dificuldades. Os especialistas confirmam que é desse modo que se obtêm os melhores resultados terapêuticos.

Novo método diagnóstico

Por meio de um exame simples e conhecido do público em geral, o eletroencefalograma (EEG), os pesquisadores conseguiram definir já aos 3 meses de idade quais bebês tinham inclinação ao transtorno do espectro autista e até prever o grau de comprometimento

A precisão do diagnóstico foi de quase 100% aos 9 meses de idade, segundo estudo publicado em um revista americana . Outra vantagem é que o EEG, exame que registra a atividade elétrica do cérebro, tem baixo custo e não é invasivo . É realizado através de eletrodos ( adesivos colado na cabeça do bebê ) que captam as ondas do cérebro .

Fica dica .

Uso de paracetamol está associado a casos de autismo

Cerca de 1 a cada 68 crianças no mundo são autistas .Os dados são da Organização Mundial de Saúde de 2016.No Brasil não temos estatísticas oficiais . Em alguns estudos esse número pode chegar em até 1 autista a cada 45 crianças brasileiras.

Os pesquisadores associam o aumento do número de casos ao modo de diagnóstico. Hoje as crianças são enquadradas no transtorno do espectro autista , um diagnóstico mais amplo , que engloba vários distúrbios e atrasos do desenvolvimento.

O que provoca o autismo?

Não há uma causa provável , mas com certeza há algum fator genético , pois os homens são mais afetados ( 4 homens para 1 mulher).

O fator ambiental também pode estar associado ao aumento de casos de autismo. Os especialistas têm estudado fatores ambientais, como uso de pesticidas, de medicações durante a gestação, exposição ao tabaco, fumo, álcool e diferentes substâncias. A probabilidade é que causas genéticas e ambientais se combinem e façam com que o bebê tenha predisposição ao autismo.

Com as causas do autismo não sendo efetivamente conhecidas, pesquisadores afirmam existirem alguns fatores de risco, como :

Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é.

Genética: Cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras.

Pais mais velhos: A ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças têm de desenvolver algum tipo de problema. E com o autismo não é diferente.

Parentes autistas: Caso a família já possua histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.

Uso de paracetamol: estudo realizado na Espanha e publicado em 2016 relaciona o uso do paracetamol durante a gestação com maior incidência de autismo nos bebês .É umas das únicas associações comprovadas até o momento.

Tem relação com vacina?

Não há relação entre vacinas e maior incidência de autismo.Isso é mito e já foi comprovado. A relação entre vacina e maior incidência de autismo esteve ligada à presença de mercúrio , presente nas vacinas.

O mercúrio é um dos componentes do timerosal, o conservante mais utilizado em vacinas multidoses e associado aos casos de autismo. Ele é empregado desde 1930 em concentrações muito baixas e os estudos mostram que não há risco para a saúde, pois é expelido rapidamente do organismo. De qualquer forma, o timerosal já não faz parte da formulação de nenhuma vacina em apresentação monodose, estando presente apenas em vacinas multidoses (mais de uma dose por frasco).

O diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito entre 1 ano a 3 anos de idade , mas os pais têm capacidade de analisar o comportamento da criança, observando as seguintes características:

– falta de interação social , não olham nos olhos da mãe ( quando amamentados não olham para a mãe , não interagem com membros da família);

– não estendem os braços para a mãe ao vê -la;

– movimentos repetitivos: rodas , blocos de montar , chama a atenção do autista ;

– não interagem com o meio : quando chamadas ou quando alguém entra na sala , não demonstram reação , não acompanham os acontecimentos a sua volta ;

– demora ou ausência de comunicação , como o atraso de fala.

A boa notícia é que diversos estudos atestaram que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e mais precocemente o tratamento começar, maior chance a criança tem de conseguir se comunicar e se relacionar com o mundo que a cerca.

Existe o que se chama janela de oportunidade para a intervenção, um momento em que agir aumenta grandemente as chances de sucesso.Quanto mais precoce o diagnóstico , melhor o desenvolvimento.

Diferenças no autismo

O transtorno do espectro autista possui um quadro variado : alguns pacientes podem ter um QI elevado e outros não , alguns casos estão ligados à epilepsia ou a síndromes genéticas .Mas todos possuem a mesma característica: falta de interação pessoal.

Embora todas as pessoas com Transtorno espectro autista partilhem essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las com intensidades diferentes. Assim, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos; ou podem ser mais sutis e tornarem-se mais visíveis ao longo do desenvolvimento.

Muitas pessoas com autismo não falam, mas compreendem a linguagem plenamente. Apenas são incapazes de comunicar em palavras seus sentimentos em relação ao que estão ouvindo.

Estas crianças têm, frequentemente, memórias excepcionais, e podem possuir a habilidade de concentrar-se fortemente sobre uma só coisa. Isso lhes permite aprofundar-se muito naquilo que desperta seu interesse. Alguns indivíduos se tornam pianistas ou cantores incríveis, graças ao fato de possuírem uma capacidade espantosa de decorar canções e notas musicais.

Esta grande variação entre os pacientes , pode ser diferenciada e classificada de acordo com a funcionalidade adquiridas . Vamos ver:

• Baixa funcionalidade: mal interagem. Em geral, vivem repetindo movimentos e apresentam retardo mental, o que exige tratamento pela vida toda.

• Média funcionalidade: são os autistas clássicos. Têm dificuldade de se comunicar, não olham nos olhos dos outros e repetem comportamentos.

• Alta funcionalidade: também chamados de aspies, têm os mesmos prejuízos, mas em grau leve. Conseguem estudar, trabalhar, formar família.

O autismo é uma condição permanente, a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo.Assim como qualquer ser humano, cada pessoa com autismo é única e todas podem aprender.

Tratamento

O Autismo é um quadro para vida toda, portanto não há uma cura. O diagnóstico precoce, as terapias comportamentais, educacionais e familiares podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem.

Com a estimulação estimulação adequada e ajuda de uma equipe multidisciplinar como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, neurologista, psicólogo e pediatra, uma criança com autismo pode conseguir atingir um desenvolvimento mais próximo do normal.

O acompanhamento da criança será multiprofissional e o objetivo será incentivar, ensinar a se vestir, a escovar os dentes e a comer sozinho, tornar a criança o mais independente possível .O excesso de proteção pode fazer com que os pais bloqueiem ainda mais a autonomia dessas crianças e prejudique o seu desenvolvimento futuro.

Fica a dica.

Autismo seria tratável e curável?

Essa controvérsia começou durante a conferência Autism One, após palestra dada por Kerri Rivera , uma homeopata americana que afirma ter a cura para o autismo.

O protocolo de tratamento de Rivera inclui dieta livre de glúten e caseína, controle de patógenos com o CD, detox de metais pesados ( com a aplicação MMS) , oxigenação e suplementação nutricional. Mas funciona?

O que é MMS?

Conhecido em fóruns, redes sociais e em vídeos na internet como MMS (sigla em inglês para solução mineral milagrosa), teria a capacidade de promover uma “desintoxicação de bactérias não identificáveis em exames” e metais pesados do organismo, que seriam os responsáveis por causar os sintomas do autismo.

Na verdade trata-se de uma composição de substâncias que tem como produto final o dióxido de cloro . Vendido na forma de kits em sites da internet, o dióxido é um poderoso alvejante altamente corrosivo.

No Brasil, as famílias que tiveram acesso ao protocolo de Kerri no exterior já formam um grupo numeroso, assim como médicos que concordam com seus princípios e acompanham com interesse as pesquisas.

O dióxido é altamente perigoso , e pode levar a irritação e lesão de pele , desidratação, náuseas, enjoos e prostração. No entanto , entusiastas desta “terapia” afirmam que esses sinais de intoxicação, são, na verdade, indícios de que o tratamento está funcionando.

Os defensores da MMS divulgam fotos de “vermes” expelidos após o uso do enema como comprovação de que o tratamento funciona. Na verdade , os supostos “vermes” são fragmentos de mucosa intestinal liberados após os sucessivos enemas (injeção de líquido pela via retal).

Funciona ?

Desde junho do ano passado a fabricação, distribuição e comercialização do MMS para cura do autismo (ou outras indicações para a saúde) é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que não reconhece a fórmula para fins terapêuticos.

O dióxido de cloro, comercializado com a sigla MMS, não tem aprovação como medicamento em nenhum lugar do mundo. A sua ingestão traz riscos imediatos e a longo prazo para os pacientes, principalmente em crianças.

Por onde essa substância química passa há uma destruição de células e tecidos, matando ainda milhares de bactérias, inclusive as boas, que têm papel importante no funcionamento do organismo. O MMS pode causar ainda insuficiência renal, gastrites e úlceras graves e até levar a morte.

Por isso , os pais ou profissionais que utilizarem o tratamento em crianças autistas podem responder criminalmente . A prática é criminosa e o uso do MMS, seja para ingestão ou uso via retal, pode ser inferido como crime no artigo 88 , no artigo 5º da Lei Brasileira de Inclusão, com pena de reclusão de um a três anos e multa.

É válido enfatizar que pais, mães e responsáveis que sujeitem crianças e adolescentes a tratamentos degradantes estão sujeitos às sanções cabíveis no campo criminal e ainda ao encaminhamento da criança ou do adolescente a programa de acolhimento e até perda da guarda .

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que pode prejudicar a capacidade de se comunicar e interagir. As causas são desconhecidas, mas, a ciência acredita que são quadros resultantes da combinação de diferentes genes. Não há uma cura para essa doença, mas existem tratamentos para ajudar a diminuir os sintomas, como terapias e uso de antipsicóticos.