Banha de porco ou óleo vegetal?

Por muito tempo as gorduras animais, como a banha de porco, foram excluídas da cozinha devido ao risco de doenças cardíacas , como o infarto. Hoje, o consenso sobre elas mudou e, em muitas famílias o seu uso substituiu o óleo vegetal. Mas será seguro o seu uso na alimentação infantil?

Quando são submetidos a temperaturas muito altas, os óleos e as gorduras sofrem oxidação, uma mudança em sua estrutura molecular que dá origem a substâncias prejudiciais ao organismo. Um exemplo são os aldeídos, que mesmo consumidos em quantidades baixas podem oferecer um risco aumentado para doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Após as análises , foi descoberto que os óleos de milho e de girassol, ricos em poliinssaturados, geravam altos níveis de aldeídos. Em contrapartida, de acordo com a pesquisa, o azeite, óleo de canola, manteiga e a banha animal produziram muito menos aldeídos, pois são ricos em ácidos graxos monoinsaturados e saturados que não sofrem tanto com o impacto do calor e gorduras saturadas raramente passam pelo processo de oxidação.

Então banha de porco é melhor do que óleo vegetal?

Segundo estudo realizado na Inglaterra , o melhor óleo para fritar e cozinhar é o azeite e o óleo de canola. Os compostos tóxicos são gerados em baixa quantidade e menos maléficos para o corpo humano. A pesquisa também sugere que manteiga ou banha animal são mais indicadas do que óleo de girassol e de milho.

Isso não significa, porém, que a banha de porco ou a gordura animal tenha que substituir toda e qualquer gordura usada no preparo dos alimentos. A regra de ouro dos especialistas é manter o equilíbrio e evitar modismos.

As gorduras de origem animal como a banha de porco e a manteiga são ricas em gorduras saturadas, o que as torna mais estáveis ao calor e impede a formação dos aldeídos. Porém, é esse mesmo alto índice de gorduras saturadas que faz com que esses ingredientes sejam considerados vilões do colesterol e da saúde cardiovascular.

Dessa forma, em meio a tanta polêmica, em vez de tentar descobrir qual tipo de óleo é mais saudável para cozinhar, a melhor escolha sempre será dar preferência a pratos preparados com a menor quantidade possível de gordura, evitando os alimentos fritos e apostando em vegetais frescos, grãos e proteínas magras.

E o óleo de côco?

O óleo de coco já esteve na moda devido aos seus supostos benefícios, mas, de acordo com um relatório divulgado pela Associação Americana do Coração, não devemos utilizá-lo.

O seu alto conteúdo de gorduras saturadas (82%) leva ao aumento do colesterol ruim (LDL), aumentando o risco de doenças cardiovasculares – em comparação, o azeite de oliva tem apenas 14% dessa gordura e o óleo de canola tem 7% , sendo alternativas mais saudáveis .

Pandemia eleva casos de colesterol alto em crianças

Quem pensa que somente os obesos evoluem com altos níveis de gordura no sangue está bem enganado . O colesterol elevado atinge quem se alimenta de forma inadequada,  seja magro ou gordinho.

A dislipidemia , ou aumento de gordura no sangue , pode ocorrer por herança genética, a chamada hipercolesterolemia familiar ou por erro de alimentação .

Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Em crianças obesas, com diabetes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia , 20% das crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos apresentam níveis elevados de colesterol no sangue.

PANDEMIA X COLESTEROL

Um dos saldos negativos da pandemia foi o ganho de peso. A ansiedade por ter a sua rotina ativa roubada levou a criançada a se alimentar com mais frequência e com menos qualidade. O total desânimo para fazer atividades físicas em casa também ajudou a fazer o ponteiro da balança subir.

O aumento nas taxas de colesterol, glicemia e triglicerídeos se tornou algo comum. Isso é resultado da piora na alimentação neste período de distanciamento social. As famílias diminuíram o consumo de alimentos frescos, como hortaliças, verduras, legumes e frutas, e passaram a abusar dos industrializados. Esta mudança do hábito alimentar reflete de forma negativa na saúde das crianças. As estatísticas mostram que, se nada for feito, teremos muito mais casos de diabetes no futuro.

REDUZIR O COLESTEROL É UM DEVER DOS PAIS

Não há sintomas . Assim como na pressão alta e no diabetes , o aumento do colesterol é uma doença silenciosa . Devagarinho a gordura se deposita no fígado e nas artérias, levado a problemas , antes de adultos, a adolescência. Medicações para controle de diabetes e colesterol se tornaram cada vez mais comuns entre os jovens .

O mais triste é que isso depende somente da mudança de estilo de vida, sem custos elevados, como o aumento da prática de atividade física. A adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) isoladamente , não resolve o controle do peso. O ideal é que seu filho faça atividade física todos os dias por pelo menos 50minutos.

Não dá para ficar dentro de casa cada um com um celular na mão. 

Parece muito, mas pense como o tempo passa rápido quando ele está em uma partida de futebol. Se na sua casa não tem espaço, leve seu filho para andar de bicicleta ou inscreva-o em esportes que ele goste.

Se essas medidas não surtirem efeito, deve ser iniciado o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos, abaixo de 130 mg/dl.

COM PEQUENAS TROCAS VOCÊ PODE OBSERVAR GRANDES MUDANÇAS!

Vejacomo algumas medidas simples podem te ajudar no dia a dia :

1- pão francês por integral

2- óleo por azeite

3- leite integral por desnatado

4 – salgadinhos por castanhas

5- carne vermelha por peixes e frango

6- embutidos ( mortadela , salame , presunto ) por queijo branco nos lanches

7- manteiga por margarina

8- sucos artificiais por suco de uva integral

9-chocolate ao leite por chocolate amargo

10- sal por temperos naturais ( manjericão , orégano , tomilho …)

Criança obesa pode evoluir com câncer de fígado

Você sabia que a obesidade é considerada uma grave doença e é responsável pelo desencadeamento de outros problemas de saúde ? Diabetes , pressão alta , estrias , problemas psicológicos e alterações de colesterol são as principais doenças na infância .

Infância? Sim! Com o aumento alarmante da obesidade em crianças e adolescentes, podemos observar cada vez mais cedo o surgimento de doenças antes vistas só em adultos.

A história da criança gordinha

Tenho uma paciente que sempre esteve acima do peso , desde 1 ano de idade . A cada consulta , um puxão de orelha era dado : “ela precisa perder peso e para isso , é necessário mudar a dieta !“. Mas a mãe sempre relutou . Tadinha dela doutora ! – dizia a mãe em toda consulta . Tenho dó – e sempre alegavam que ela não comia nada , só arroz e feijão .

O caso só foi piorando e os exames de colesterol cada vez alcançavam indícies mais elevados . Aos 8 anos de idade o colesterol era de 240 e os triglicérides de 130. Até que finalmente aos 9 anos ela se tornou hipertensa e com problemas no fígado : a esteatose hepática .

A esteatose hepática não alcoólica , chamada também de gordura no fígado , é quase idêntica ao dano hepático vivido por pessoas que consomem muita bebida alcoólica, mas, neste caso, o estrago está feito não pelo álcool, mas pela má alimentação e excesso de peso.

O fígado gorduroso parece ser o mais novo componente da epidemia da obesidade, principalmente entre crianças e adolescentes.

Ao imaginarmos o fígado gorduroso, logo pensamos nas gorduras. Porém, por incrível que isso possa parecer, não é somente a gordura a grande vilã do fígado de nossas crianças. Já se sabe que nesses casos o excesso de carboidratos, principalmente o açúcar, são os principais responsáveis pelos depósitos de gordura no fígado.

Meu filho já tem colesterol alto, e agora?

Se o seu filho já tem colesterol alto, é essencial um bom planejamento nutricional e o engajamento de toda a família. Emagrecer não é fácil para ninguém e não poderia ser diferente para as crianças. Lembre-se que se seu filho está acima do peso, isso provavelmente se deve aos maus hábitos da casa ou da família. Por isso, não delegue a tarefa de mudar os hábitos alimentares e de atividade física só à criança, os pais e os cuidadores têm uma forte parcela da responsabilidade.

Uma pessoa obesa normalmente chega a essa condição após ter ingerido, por muito tempo, alimentos gordurosos. Sendo assim ela ingeriu mais do que o próprio organismo possa dar conta e eliminar.

Para as crianças e adolescentes que estão acima do peso ou com obesidade leve, sem risco de desenvolver outras doenças, pode ser recomendada apenas a manutenção do peso. Isso porque o crescimento da criança pode fazer com que ela entre numa faixa de peso saudável, sem necessariamente precisar emagrecer.

Já para crianças com obesidade instalada e risco de desenvolver outras doenças, a perda de peso é recomendada. O emagrecimento deve ser lento e constante, e os métodos são os mesmos adotados para adultos – ou seja, comer uma dieta saudável e praticar exercícios. O sucesso depende em grande parte de seu compromisso de ajudar seu filho ou filha a fazer essas mudanças.

Esteatose hepática leva a cirrose

Se a esteatose hepática pode permanecer estável por muitos anos e até regredir, se suas causas ( obesidade ) forem controlados. Se não o forem, a doença pode evoluir para a esteatoepatite. Nessa fase a esteatose se associa a inflamação e morte celular, fibrose (cicatrização) e tem maior potencial de progressão, ao longo dos anos, para cirrose e para o carcinoma hepatocelular ou câncer de fígado.

Mudança de hábito alimentar não é fácil. Mas devemos ter em mente que a criança obesa é uma criança doente e que precisa ser monitorada . Deve ser tratada com melhora da qualidade da alimentação e a prática de atividade física.