Pandemia e as alterações psicológicas nas crianças

A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe uma série de mudanças na vida cotidiana das crianças. Apesar dos indícios de que a taxa de mortalidade nessa faixa etária é relativamente menor em comparação a outros grupos , é preciso lembrar de que todas as crianças estão suscetíveis às repercussões psicossociais da pandemia.

Assim como nós, as crianças tiveram a rotina bastante alterada : de repente, sem entender bem o porquê, suas escolas , parquinhos e até mesmo a relação com os avós passou a ser virtual.

Como será que o seu filho está sendo afetado pela pandemia? 

O isolamento pode causar reações emocionais e alterações comportamentais como: dificuldades de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, tédio, sensação de solidão, alterações no padrão de sono e alimentação. Crises de birra ou de raiva sem motivo aparente podem ser indícios de que algo não vai bem na cabecinha dele.

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São reações esperadas diante das dificuldades do cenário atual, porém lidar com as alterações emocionais e comportamentais das crianças não é fácil para os pais , que também estão vivenciando níveis mais elevados de estresse e ansiedade neste período.

Preocupados com o impacto emocional nos pequenos , os pesquisadores da Fiocruz lançaram uma série de cartilhas de recomendações sobre a saúde mental nas crianças .

O objetivo da cartilha é apresentar aspectos referentes à saúde mental e à atenção psicossocial de crianças no contexto da pandemia, destacando fatores relacionados à sobrecarga de trabalho dos pais e o estresse da família com as normas de isolamento social , por exemplo.

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O material incentiva que os pais dialoguem com as crianças sobre a situação atual. “Não é preciso ter medo de conversar sobre o que está acontecendo com as crianças. Elas já ouviram falar sobre o vírus e é possível explicar de uma forma compreensível e honesta sobre a doença, orientar com relação às medidas de cuidado e prevenção, esclarecer dúvidas e permitir que se expressem a respeito”, recomenda.

O que fazer ?

• O isolamento não pode se configurar como experiência de abandono. Manter contato com familiares , mesmo que por meio de eletrônicos , traz a criança uma sensação de conforto , permitindo que reforcem o vínculo afetivo , fundamental para o desenvolvimento infantil.

• Mantenha a rotina familiar : planejar o dia e mantê-lo o mais próximo possível da rotina habitual reduz o surgimento a ansiedade e estresse. Ter um horário para acordar, fazer as refeições e dormir, assim como para realizar as diversas atividades, devem ser seguidos por toda a família .

Tarefas domésticas podem ser divididas inclusive com as crianças, respeitando o que conseguem fazer com segurança. Mas ter um tempinho dedicado ao descanso também é fundamental, assim como o lazer não pode ser deixado de lado.

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• As crianças precisam se movimentar, então, atividades que envolvam o corpo são necessárias, mas pode- se diversificar engajando-as em outras brincadeiras como jogos, desenhos, contação de histórias.

• O aumento do tempo de permanência e de contato da família dentro do lar, pode favorecer as tensões e os conflitos . Associados ao estresse das mães com a sobrecarga de serviços domésticos e com as aulas on-line e ao o terror financeiro provocados pelo isolamento , não é difícil surgirem discussões .

Tudo isso pode agravar o quadro de ansiedade nas crianças , que podem evoluir com um comportamento diferente do habitual , com acessos de raiva ou de choro. Nessa hora , gritar e ameaçar podem não surtir efeito : se os castigos aumentaram na sua casa , talvez seja a hora de reavaliar o seu comportamento .

Leite materno protege bebês contra Covid

O leite materno pode transmitir o coronavírus, assim como ocorre com outras infecções? Essa foi uma das principais questões entre os pediatras para recomendar ou não , a amamentação em tempos de coronavírus.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC estudaram cerca de 200 mães e comprovaram que o aleitamento é seguro e protege o bebê contra o novo coronavírus. Viu que notícia boa ?

O estudo foi publicado recentemente em uma das mais importantes revistas internacionais do mundo que tratam sobre amamentação, a Journal of Human Lactation.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde do Brasil e Sociedade Brasileira de Pediatria é manter o aleitamento materno desde a sala de parto, no alojamento conjunto, Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN), enfim, em todos os setores da maternidade.

PEGUEI COVID , DEVO AMAMENTAR ?

A amamentação deve ser mantida. A mãe suspeita ou com diagnóstico de COVID- 19 pode amamentar se estiver em bom estado geral, se quiser amamentar, tomando alguns cuidados higiênicos e seguindo algumas recomendações, como a seguir:

• Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação;

É possível afirmar que a Covid-19 não é transmitida por meio da amamentação  nem durante a gestação

• A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;

• Lavar com frequência as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora). Se não for possível, higienize as mãos com álcool em gel 70%; 

ESTOU TOMANDO MEDICAÇÃO, POSSO AMAMENTAR ?

Não há protocolo definido pelo Ministério da Saúde quanto ao tratamento para pacientes com Covid . então , selecionei algumas das medicações mais usadas ( mas não são necessariamente as mais indicadas ):

• cloroquina ou hidroxicloroquina: possuiem baixa passagem no leite e estudos não demonstraram efeitos adversos nos lactentes.

• azitromicina : pode levar a alguns efeitos gastrointestinais como diarreia e candidíase, mas é considerada segura durante amamentação.

• ivermectina não possui muitos estudos sobre seu uso durante amamentação, mas também é pouco excretada no leite sendo considerada provavelmente segura .

• favipiravir : medicação antiviral ,não tem informação suficiente para avaliar sua segurança, mas sabe-se que pode levar a aumento de enzimas hepáticas e de ácido úrico, então quando utilizado devemos dosar esses exames nos lactentes.

• oseltamivir, utilizado para tratamento de Influenza A e B, é considerado seguro e seu uso é aprovado .

• lopinavir não apresentou nos estudos efeitos adversos nas crianças após uso materno, assim como o remdesevir, mas para esta última os estudos são escassos.

• ribavirina, que é utilizada por lactentes infectados por vírus sincicial respiratório possui seu uso compatível com a amamentação desde que utilizada por curto período.

• dexametasona na amamentação, sabe-se que pode levar a redução da prolactina e consequentemente diminuição da produção de leite, mas seu uso por curto período não demonstra nos bebês efeitos adversos. E a metilprednisolona, já bem estudada, possui baixa concentração no leite materno e sem evidência de riscos às crianças.

• tocolizumabe (anticorpo monoclonal) e os interferon-alfa e beta (citocinas antivirais e com ação imunomoduladora) são considerados seguros.

Peguei Covid e agora , o que fazer com os meus filhos ?

Recebo diariamente inúmeras mensagens de mães , aflitas, que contraíram Covid e que não sabem como devem proceder com relação às crianças.

O primeiro procedimento ser feito é o isolamento. No nosso caso , nem sempre é uma tarefa fácil , principalmente no caso dos menores de 2 anos . Então, mesmo em caso de suspeita , use máscara em casa o tempo todo e não se esqueça da lavagem de mãos.

E por favor , não deixe seu filho na casa da avó ou da tia . Porque , até que se prove o contrário, o seu filho também pode estar com a doença e transmiti-la para outros familiares . Todos do domicílio devem seguir um isolamento de 10 dias .

FAÇO O EXAME NOS MEUS FILHOS ?

Se você tem suspeita da doença, iremos coletar o exame dos seus filhos apenas se eles apresentarem sintomas . E quando isso ocorrer, será o mesmo exame de diagnóstico dos adultos, aquele do cotonete.

Esse exame pode ser o RT-PCR , teste de antigeno ou teste rápido da farmácia. Todos são feitos através do cotonete no nariz . Somente assim , saberemos se ele tem ou não o novo coronavirus.

QUAL MEDICAÇÃO EU USO ?

Infelizmente não há tratamento específico para Covid . O que usamos são medicações, como xaropes expectorante e antitérmicos , comus nos quadros gripais . Por isso não tinha medo quando seu pediatra prescrever algum tratamento e siga as orientações.

O início do tratamento só deve ocorrer na presença de sintomas ! Não adianta fazer exame ou dar xarope se a criança não apresenta nenhum sinal da doença.

Ivermectina não é tratamento para Covid !

DEVO PARAR DE AMAMENTAR ?

Alimento poderoso, o leite materno além de nutrir e hidratar tem o poder de evitar inúmeras doenças, fortalecendo o sistema imunológico dos bebês por meio dos anticorpos da mãe, que são liberados para o filho naturalmente do início ao fim da mamada. 

Não há, até o momento presente, evidências científicas de transmissão do novo coronavírus por meio do leite materno de mãe contaminada. Os estudos iniciais também apontam para um baixo risco de infecção por COVID-19 entre bebês.

Considerando esses pontos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) consideram que os benefícios do aleitamento materno superam o risco de contaminar o bebê.

Estudos demonstraram a presença de anticorpos capazes de neutralizar o vírus no leite de mulheres que tiveram a doença

Crianças são mais resistentes ao coronavírus ?

Dos quase cem mil acometidos pela Covid-19 no planeta , as crianças infectadas são raridade .É um grande alívio para mães e pediatras, mas a razão disso permanece um mistério. Afinal, as crianças estão naturalmente protegidas do coronavírus? 

Parece que sim, e há várias teorias a respeito. A primeira diz que as crianças até se infectam, mas na maioria das vezes não manifestam sintomas. Os pesquisadores descobriram que menores de dez anos eram tão suscetíveis a contrair o vírus quanto os mais velhos, mas um risco bem menor de sofrerem sintomas severos como inflamação nos pulmões ou dificuldade respiratória. 

Sistema imune das crianças é mais eficaz contra o coronavírus? 

Geralmente, por ainda estarem com o sistema imune em desenvolvimento, as crianças são o grupo de risco para versões graves de gripe, transmitida pelo vírus influenza, pneumonia e outras doenças respiratórias. No caso do corona, suspeita-se que a imaturidade seja de certo modo positiva, levando a uma reação mais equilibrada do corpo frente ao vírus. 

Como assim?

O que faz um vírus ser mais agressivo é uma resposta imune exagerada ou desregulada, que gera o processo inflamatório por trás dos sintomas da doença. As crianças, por ainda estarem com as defesas imaturas, não conseguiriam gerar tamanha inflamação.

É o estado inflamatório que causa febre, mal-estar e a inflamação nos pulmões que leva aos quadros mais perigosos da Covid-19.

Esta inflamação exagerada, somada à presença de doenças crônicas e à queda na resposta imune inata relacionada ao envelhecimento , ajuda a explicar porque certas doenças são mais graves nos adultos do que nas crianças, como a catapora , por exemplo.

Outra teoria para explicar a baixa incidência nos pequenos é que, como as crianças são expostas frequentemente a outros tipos de coronavírus (geralmente causadores de resfriados comuns), seus anticorpos ofereceriam uma espécie de proteção “de tabela” contra a nova forma da doença .

Mas eu soube de crianças que morreram …

No entanto, um estudo com 2.143 pacientes menores de 18 anos na China, indicou que 6% dos pequenos desenvolveram infecções graves, principalmente entre os bebês.

De acordo com o estudo, cerca de 50% das crianças apresentaram sintomas leves, como febre, fadiga e tosse, enquanto que 39% delas tiveram sintomas moderados, como pneumonia e problemas no pulmão.

O estudo apontou ainda que quase 11% das crianças que ficaram gravemente doentes tinham menos de um ano e 7% entre 1 a 5 anos.

Mesmo com esses casos clínicos graves, a maioria das crianças ainda parece não ter sintomas tão críticos. Segundo informações do jornal americano The New York Times, uma das teorias é que as crianças têm pulmões mais saudáveis que os adultos, pois foram menos expostas à poluição. 

As melhores e as piores máscaras

Na pandemia do novo coronavírus, máscaras de proteção podem salvar vidas. Um estudo realizado com 194 países chegou à conclusão que em nações onde o uso de máscaras não foi recomendado, o crescimento semanal no número de mortes foi de 55%. Nos países onde as máscaras foram recomendadas, esse número foi de 7%.

Mas diante de uma grande variedade de máscaras , qual seria a melhor ?

Para classificá-las , usei como base o estudo publicado na revista científica Science Advances que analisou a proteção de diferentes de máscaras contra a covid-19 e adaptei para as máscaras mais comuns que encontramos aqui no Brasil .

N95 e N99

N95 – A melhor opção

As máscaras médicas N99 e N95 , sem válvula , são consideradas as melhores em filtrar partículas do vírus. Há uma razão para isso: selam firmemente o entorno do nariz e da boca, evitando que partículas possam penetrar ou sair e possuem fibras capazes de filtrar o vírus no ar.

De acordo com uma pesquisa, a N99 pode reduzir os riscos de infecção em até 99%, enquanto a N95 em até 95%.

Só vale a N95 SEM válvula !

As máscaras N-95 com válvula tiveram o desempenho quase igual ao das máscaras de algodão. Esse tipo de máscara é projetada para ambientes industriais e seu objetivo é mais controlar o que o usuário inspira do que o que ele expira.

Máscaras de TNT tripla camada

Descartáveis e não podem ser lavada ou reutilizada

Máscaras cirúrgicas descartáveis costumam ser a segunda opção quando o assunto é proteção . Feitas de TNT, elas são consideradas, segundo pesquisas, três vezes mais eficientes do que as máscaras de pano. Possuem a desvantagem de serem descartáveis e de uso por até 4 horas .

Máscaras de propileno

Tão eficaz quanto as descartáveis de três camadas , as máscaras de polipropileno reduziram a quantidade de gotículas em 90%. São durinhas e fazem uma boa vedação . Mas não são laváveis. Pode ser reutilizada por até 7-10 dias dependendo do uso .

Máscara de tecido

Cada tipo de tecido , uma proteção

O nível de proteção varia com o tipo de tecido utilizado na sua confecção . Nunca use somente uma camada .

Um recente estudo inglês definiu que, para a população em geral, o ideal é tentar fazer o uso de máscaras com duas camadas, que mesclam algodão de 600 fios com outros materiais, como seda, chiffon ou flanela. A pesquisa mostra que essa combinação é capaz de filtrar até 80% das pequenas partículas de ar e 90% das grandes partículas.

Outra opção altamente protetora é usar máscaras com camadas triplas, sejam elas de algodão ou seda. Segundo uma pesquisa da Universidade de Illinois, máscaras desse tipo podem ser tão eficientes quanto as de TNT usadas por equipes médicas.

Máscaras de tecido antimicrobiano , como de íons de prata , são uma boa opção pois inativam o vírus no tecido e podem ser utilizadas por um período mais longo , de até 6 horas . São laváveis e eliminam o risco de contaminação cruzada .

Não use

Bandana ou lenço

Não protege !

As bandanas dobradas diminuem a quantidade de gotículas em apenas 5% . Não protege quem usa e pode contaminar as pessoas próximas. Apesar de estiloso , não é indicado .

Máscaras com lantejoulas, tule, tricô ou tecidos vazados e com rendas também não oferecem proteção !

O mesmo serve para as bandanas de pescoço, muito utilizada por corredores e ciclistas . O tecido desse tipo de gola quebra as gotas maiores em muitas gotículas. As gotas menores ficam suspensas no ar por mais tempo e, por isso, o uso desse tipo de máscara é, segundo o artigo, produz teve resultado oposto ao esperado.

Está na hora de levar meu filho ao PS ou devo esperar?

Quantas vezes você chegou no pronto-socorro com seu filho e, no meio de tantas crianças abatidas e com febre, encontrou outras que corriam pela sala de espera ? Sim, nem todas as crianças precisavam estar lá, mas a ansiedade dos pais e até a dificuldade de falar com o pediatra são motivos que os levam a correr para o hospital mais próximo.

7 em cada 10 consultas não são urgentes

Cerca de 70% dos casos levados ao Pronto Socorro pediátrico não necessitariam de atendimento urgente. O contato com crianças verdadeiramente doentes pode expor estas crianças sem doença a um ambiente contaminado, colocando-a em risco.Vale a pena?

Os pais devem estar atentos , pois os pacientes que procuram o pronto socorro na maioria das vezes estão com doenças contagiosas : meningites , pneumonias , coronavírus e conjuntivites . A exposição desnecessária das crianças representa um grande risco de contrair novas doenças . Quanto menor a criança , maior o risco , como é o caso dos recém nascidos e bebês.

Devo deixar a criança doente em casa ?

Não ! Criança doente não precisa ficar sem atendimento , mas se o caso não é urgente , aguarde a consulta com o seu pediatra ou procure a unidade básica de saúde mais próxima .

No consultório o ambiente é mais arejado , com uma frequência de pacientes com menor gravidade e devido ao agendamento , o fluxo de crianças doentes é controlado pelo pediatra , reduzindo a exposição de quem está saudável.

Dicas para quem precisa ir ao hospital

1- Não leve a criança por queixas crônicas : tosse , dor abdominal , cefaleia , cólica . Sem não tiver sintoma de gravidade ( febre, vômitos , diarreia) , marque consulta com seu médico. A solução não estará em realizar um rx tórax ou no hemograma.

2- Não leve brinquedos : para diminuir o stress da criança , pais costumam levar bichos de pelúcia , naninhas e até tablets para entreter a criança enquanto aguarda a consulta . Mas lembre- se : hospital é local contaminado e brinquedos podem transmitir doenças .

3. Não peça um exame para ver se está tudo bem : se houver necessidade de fazer algum exame de sangue ou de imagem ( raio x) , eles demoram em média 2 a 4 hs para se obter o resultado . Quanto mais pacientes , maior a demora. Pensando nisso , não vá solicitar um hemograma para controle de anemia ou um raio x ao para ver se está tudo bem.

4-Procure ir no meio da manhã ou da tarde. Fora do horário de pico , com equipe mais descansada.Os melhores horários são até as 11 hs no período da manhã e até as 17 hs no período da tarde .O número de pacientes em espera é menor e portanto a chance de você ou o seu filho contrair alguma doença também diminui .

5- Evite o horário de troca de plantão , 07:00 hs e 19:00hs.O médico devem passar para o outro plantonista todos os casos internados e que necessitam de reavaliação.O atendimento fica parado e a fila aumenta , principalmente as 19:00 hs.

6 – Não leve os irmãos do paciente : o mesmo serve para avós , tios e outros familiares.O ambiente é contaminado, há risco de infecção por doenças respiratórias , conjuntivites, viroses. Geralmente a sala de atendimento é pequena e será necessário ficar somente o paciente e um responsável.Lembre-se :trata-se de uma urgência .

7- O que é urgência ?

👍 Quando devo levá-lo ao PS :

– vômitos sem melhora após medicação em casa;

– quedas , queimaduras extensas e ferimentos profundos ;

– alergias extensas , como urticárias ;

– falta de ar ;

– intoxicação ( ingestão de medicamentos ou produtos de limpeza);

– dor intensa sem melhora após medicação E sintomas de gravidade associados ( febre ou vômitos );

– sonolência ou mudança de comportamento sem motivo aparente ;

– convulsão ;

👎 Quando não levá-lo ao PS:

– tosse ou coriza ;

– febre ;

– constipação ;

– diarreia ;

– cólica do bebê ou dor abdominal ( sem sintomas de gravidade );

– engasgo ou vômito eventual ;

– dor de cabeça ;

Como eu fui viajar na pandemia

Este post é uma experiência pessoal e que eu gostaria de compartilhar com vocês . Está longe de ser uma orientação , ao contrário do que eu costumo publicar . Ele relata a minha experiência de viajar durante a pandemia .

Sei , muitas pessoas irão criticar a minha decisão . Mas após 150 dias de quarentena e observando a melhora nos indicadores ( diminuição do número de casos novos e estabilização há algumas semanas ) resolvi que havia chegado a hora .

Escolha do lugar

Li vários artigos sobre viagens durante a pandemia e a opinião é unânime : vá para uma localização próxima e por um curto período de tempo . Assim usei o carro e não fiz nenhuma parada . Levei alguns petiscos e bebidas e só paramos para abastecer . A viagem de avião estava fora de cogitação .

Por isso o local escolhido foi no próprio estado de São Paulo, na cidade de Cesário Lange , cerca de 400 km de distância . Optei por um resort e não por uma casa alugada ou uma pousada .

Primeiro dia

Será que fiz certo ?

Ao chegar , senti um misto de medo e alegria . A medida da temperatura e a presença de álcool gel está em toda parte , assim como as barreiras físicas e máscaras , o que não deixa você esquecer que estamos em uma pandemia . É muito estranho e tenso . No check in recebo uma sacola plástica com o tudo embalado e previamente higienizado . O meu formulário e a caneta que eu vou usar o estão lá dentro . Não há nenhum contato com a funcionária .

Tudo está diferente e tem cheiro de álcool . Mas a alegria está no rosto de todos . Uma sensação de liberdade e de quase normalidade toma conta de você . Mas permaneço firme , não frequentei as áreas comuns da piscina , aonde as pessoas se aglomeravam sem nenhum pudor , com cadeiras lado a lado e reunião de grupos de amigos .

Dei preferência as atividades ao ar livre : caminhada , arco e flecha , pescaria , paintball , arvorismo . Tudo com pouco ou nenhum contato físico ou próximo dos demais hóspedes .

As refeições me deixavam mais apreensiva , pois apesar do distanciamento das mesas , uso de luvas descartáveis e funcionários treinados , a aglomeração era inevitável . Mesas com grandes grupos de amigos , famílias numerosas e muitas crianças deixavam o ar pesado . Procurei horários alternativos com menor movimento , ou muito cedo ou muito tarde .

A alegria das crianças

Sim , fiz por elas . Há tempos venho notando uma falta de interesse , pouco apetite e crises de choro e raiva sem motivo aparente . Tentei de tudo : cozinha , caminhada , atividades e “noites especiais” , mas após tanto tempo , não estavam mais surtindo efeito .

Elas perderam muito com a pandemia , os amigos , a escola , as atividades . Tudo foi substituído por um contato frio através da tela do computador e dos jogos on-line .

Fizemos muitas atividades de lazer , tudo ao ar livre e foi tão delicioso que eu quase esqueci de tudo . Ficar sem máscara também nunca foi tão bom! ( mesmo que dentro de um pedalinho no meio do lago rs).

A pergunta que não cala : podemos viajar?

Houve um aumento de mais de 100% na procura por hotéis no estado de São Paulo no mês de julho . E a procura por aluguéis de temporada e até motor home também seguem essa tendência .

Com a estabilização do número de casos , a flexibilização da quarentena está sendo cada vez mais abrangente , o que me permitiu usufruir de uma viagem antes da abertura para a fase verde . Quando isso acontecer , os hotéis ficarão cheios e o risco será , inevitavelmente maior .

A minha dica é : viajar somente quando você sentir segurança. Abertura de parques, fronteiras, lojas, bares e restaurantes não importarão nada enquanto você não se sentir confiante para viajar. E essa é uma decisão estritamente pessoal! Encarar a primeira viagem pós-quarentena depende de cada um e é preciso entender que cada família deve avaliar a sua própria necessidade. Se você é do time que vai correr para o aeroporto assim que a quarentena acabar, tudo bem! Se você acha que só vai conseguir retomar a viagem depois da vacina, também está tudo certo! O importante é respeitar o seu momento, seja ele quando for, e aceitar quem pensa diferente.

Cuidados ao levar seu filho ao PS

Com a pandemia do coronavírus os cuidados com as crianças devem ser redobrados , mas e quando elas ficam doentes ? O que fazer se eu precisar levar meu filho ao hospital ?

A higienização de mãos com água e sabão e o uso de álcool gel são medidas que todas nós já sabemos , mas existem outras dicas para reduzir a contaminação da criança ao passar em consulta em um hospital .

O que precisamos evitar :

levar acompanhantes : leve a criança em consulta sozinha . Se o pai quiser ir junto , peça que aguarde do lado de fora do hospital . Quanto maior o número de pessoas na sala de espera , maior a contaminação dos familiares da criança .

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levar brinquedos : para deixar a criança mais calma , os pais costumam levar brinquedos , maninhas e tablets ao pronto atendimento . Como estes objetos vão com frequência a boca e na face do seu filho , o ideal é deixá-los em casa .

uso de máscaras é obrigatório : só não devem usá-las crianças menores de 2 anos , pois podem levar a asfixia . Incentive seu filho a colocá-la e o ideal é levar a sua .

levar alimentos : não leve snacks ou suquinhos . É muito comum encontrar criança na sala de espera comendo lanchinhos . Lembre-se que aquele local não é adequado . Para isso , procure a lanchonete do local .

observar a necessidade de atendimento : evite ir ao hospital . Se a criança tem febre mas o estado geral está bom ( sem vômitos , falta de ar , dor ) procure o consultório do seu pediatra . Neste local , a contaminação do ambiente é bem menor .

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atenção aos objetos : evite levar bolsa . Tenha em mãos o documento da criança e no máximo o celular . A bolsa com roupas ou fraldas deve ser pequena e de tecido impermeável.

leve a medicação : se a criança tem asma , é fundamental que você tenha em mãos a bombinha dele . Inalações dentro do Pronto Socorro devem ser evitadas e para controle de crise , usamos a própria medicação do paciente .

O que fazer após a consulta

Foi examinado e voltou para casa ? Ok , já sabe de tudo não é mesmo ? Retire os sapatos e troque as suas e as roupas da criança assim que chegar e direto ao chuveiro .

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Celulares , chaves e outros objetos devem ser higienizados com álcool 70% , inclusive a bolsa do bebê .

Se o motivo da consulta foi por sintomas gripais ou febre , todos da sua casa devem evitar ao máximo contato com outros familiares ( tios , avós , sobrinho ) por até 14 dias . Use a medicação indicada pelo médico e faça o acompanhamento da criança no consultório .

Manter a saúde em dia é a melhor forma de se prevenir contra o novo coronavírus . Para isso mantenha a vacinação em dia , consuma muitas frutas e verduras , beba muita água e passe regularmente pelo pediatra , em consultório . Evite usar remédios por conta própria .

Atividade esportiva x coronavírus

O mundo passa por um delicado momento enfrentando a pandemia do COVID-19, uma doença respiratória causada pelo coronavírus. Praticamente todos os países do mundo já tiveram casos de contaminação e mortes confirmadas nos últimos meses devido ao vírus.

A rotina de toda população mundial foi alterada e o esporte também sofre os efeitos da pandemia. Aulinhas de natação canceladas, quadras fechadas e crianças confinadas sem nenhuma atividade física .

Mas com a flexibilização da quarentena em muitos estados , fica a questão : será seguro deixar meu filho voltar para a escolinha ?

Natação

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o cloro é um material que serve para a desinfecção de substâncias em superfícies. Essa substância tem papel importante contra fungos, bactérias e outros microorganismos. Ela garante a limpeza da água, além do controle do pH.

Não há registros de transmissão do coronavírus pela água.

Segundo especialistas em ciências farmacêuticas, as características do Covid-19 fazem com que ele seja sensível ao cloro usado nas piscinas. A quantidade aplicada na água é mais que suficiente para romper as membranas que envolvem o vírus e assim, eliminá-lo.

Então, meu filho está seguro nas piscinas?

A resposta para essa pergunta é: depende. Para os nadadores, os principais cuidados não são em relação à água, e sim ao contato em lugares contaminados.

Pode ser um corrimão, a borda, ou mesmo algum material compartilhado, como prancha e toalhas. Se alguém contaminado tocar ou espirrar sobre eles, podem virar um novo meio de transmissão. A transmissão do coronavírus também pode acontecer ao tocar em alguma superfície que foi contaminada por gotículas.

As aulas devem ter redução do número de alunos por período na piscina e não somente por raia .

A escolinha deve fornecer protetor facial ( shield) aos professores que ficam na água e não permitir que alunos compartilhem pranchas ou toalhas . Bebedouros não devem ser utilizados e banhos na saída da piscina , suspensos .

Tênis

Esporte praticado ao ar livre , individual , sem contato físico , pode ser praticado sem nenhuma restrição . Só fique atento ao uso de máscaras ao entrar e sair da quadra e não utilizar bebedouros ou compartilhar garrafinhas de água .

Futebol , vôlei e judô

Modalidades como basquete, vôlei e handebol, por envolverem uma bola que passa pela mão de diversas pessoas, não são recomendadas.
— Além de evitar o contato físico, as pessoas precisam cuidar o contato com a bola. Se ela puder ser tocada por diversos jogadores, existe o risco de transmissão do vírus

O mesmo vale para o judô e lutas marciais . Praticado em ambiente fechado , com intenso contato físico , o risco de contrair a doença é muito alto .

Já o futebol , praticado ao ar livre e com a bola no chão , oferece um risco bem menor , sendo até liberado para os jogadores profissionais . Ainda assim, os infectologistas ressaltam que é preciso seguir os processos básicos de higiene, como lavar as mãos regularmente, não levá-las ao rosto e cobrir espirros com o antebraço.

Use o bom senso e avalie sempre como a escolinha do seu filho está realizando as medidas preventivas .

Volta às aulas ?

Recebo tantas perguntas sobre a volta às aulas ! E você , também não está super preocupada com tudo isso ? Afinal , as crianças são o nosso bem mais precioso e pensar em arriscar a vidinha delas com essa doença dá arrepios .

Se você fizer uma pesquisa rápida na internet , verá que existe pouca notícia sobre o assunto . Muito alarde sobre novos surtos e tal , mas pouca notícia sobre o que realmente interessa para nós , mães : é seguro enviar meu filho para escola ?

Afinal , não dá para comparar uma escola brasileira com a do Japão ou da Alemanha . Aliás , nem dá para comparar uma escola nos diferentes estados brasileiros ou públicas e particulares .

Então , o que fazer ?

A primeira pergunta na cabeça dos pais é: meu filho pode pegar covid-19 na escola?

Uma das mais recentes pesquisas sobre o tema foi publicada esta semana na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health. E ela sugere que escolas podem reabrir onde houver outras formas de se controlar a pandemia, como distanciamento social.

No estudo verificou-se que as escolas não foram grande foco de infecção de coronavírus e o risco de infecção entre as crianças foi considerado pequeno.

Os autores do estudo foram explícitos nas suas conclusões: “nossas descobertas fornecem evidências de que a transmissão de Sars-CoV-2 em ambientes educacionais pode ser mantida em baixo nível no contexto de uma resposta eficaz à epidemia”. Ou seja , locais com medidas rigorosas de higienização e de controle de novos casos , as escola podem reabrir .

E no Brasil ?

Veja o documento em maio deste ano emitido pela nossa Sociedade de Pediatria sobre o assunto :

…”Se por um lado existe a preocupação em relação ao adoecimento dos filhos e, como consequência, de outros membros da família, por outro lado, há o prejuízo da aprendizagem e sociabilização. Crianças, mesmo assintomáticas, podem ser transmissoras da doença. Tossem, espirram, compartilham brinquedos e alimentos sem maiores cuidados”…


…” Sabemos que a doença é transmitida por meio de contato direto com gotículas respiratórias de uma pessoa infectada (fala, tosse e espirros) e ao se tocar na face (olhos, nariz e boca) após contato com superfícies contaminadas”…

… “é nosso entendimento que a volta às aulas deva ser gradual, de forma cautelosa, incluindo todas as precauções possíveis para minimizar a disseminação da infecção pelo SARS-CoV-2 nas escolas”…

Segue o link do documento completo : https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22516b-NA_-_COVID-19_e_a_Volta_as_Aulas.pdf

Mas e aí ? Mando ou não meu filho para escola ?

A resposta é depende . Porque existe uma grande gama de fatores , como por exemplo , se a sua cidade está com os índices de novos casos estabilizado ou não. Depende do tamanho da sua escola e se ela possui ou não recursos para controle e higienização e da idade do seu filho.

Uma regra é clara : crianças com cardiopatias congênitas ou imunodepressão não devem voltar a escola este ano . Já os asmáticos e diabéticos devem questionar ao seu pediatra a decisão , pois irá variar caso a caso .

Quais os cuidados de segurança que devo observar na escola ?

– Orientar a higienização das mãos frequentemente, especialmente antes e após as refeições e a ida ao banheiro;
– Levar álcool em gel e ensinar seu filho a usá-lo corretamente;

Orientar para o uso de lenços descartáveis ou do antebraço (cotovelo dobrado) ao tossir ou espirra;

– Levar a sua própria garrafa de água, utilizando os bebedouros comuns apenas para enche-las ;
– Usar máscaras e trocá-las a cada duas a quatro horas, ou antes, se estiverem sujas, úmidas ou rasgadas.

E o mais importante é que cada escola adote políticas de educação para prevenção de infecções que envolvam alunos, pais, professores e funcionários. Os pais devem ser orientados a não levarem seus filhos à escola ao menor indício de quadro infeccioso, seja febre, manifestações respiratórias, diarreia, entre outras. Cada família deve entender a ter respeito ao próximo e deixar a criança em casa , mesmo sem diagnóstico estabelecido .

E é exatamente aí que eu gostaria de deixar a minha opinião pessoal . Não tenho medo da escola ou da higienização. Tenho medo dos pais dos outros alunos . Como pediatra , vejo tanto desrespeito aos demais, tantas situações extremamente bizarras , que eu gostaria de te contar .

Como no caso do pai que leva a filha ao meu consultório , com suspeita de Covid ( a mãe testou positiva e a criança possuía sintomas ) e se recusou a usar a máscara durante o atendimento , mesmo após solicitado .

Ou a enfermeira atendida na UBS com contato familiar positivo para a doença que se recusou a se afastar do serviço , porque “ não apresentava sintomas” e sabia dos riscos de transmissão a que submeteu todos os pacientes que atendia .

E tantos outros casos de crianças tossindo e espirrando , ou até mesmo com febre na porta da escola … por isso , a minha pergunta é: será que nós , pais e mães , estamos preparados a respeitar o próximo ?