Alergia ao ovo e seus mitos

Está pensando em adicionar o ovo no cardápio do seu filho? Vá em frente! A partir dos 6 meses de idade , o ovo deve ser inserido na dieta da criança.

Até um tempo atrás acreditava-se que primeiro deveria ser introduzida somente a gema e depois a clara. Essa não é mais a recomendação geral : estudos recentes e o próprio manual da Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a introdução de GEMA E CLARA já na primeiras papinhas.

O ovo é um alimento riquíssimo para oferecer ao bebê e à criança. Fonte de proteínas e vitamina B12, B2, B5, A , ferro e selênio.

O jeito CORRETO de oferecer o ovo ao bebê é com clara e gema bem cozidas, para evitar a contaminação por bactérias. Comece oferecendo 1/4 do ovo para perceber a aceitação e reação do bebê e vá aumentando a quantidade aos poucos. 

Mas e a tal alergia do ovo ?

A alergia ao ovo geralmente se inicia nos primeiros anos de vida . É considerada a segunda alergia alimentar mais comum, competindo com o leite de vaca.

Geralmente as alergias alimentares se manifestam em crianças predispostas geneticamente. As manifestações alérgicas se iniciam poucos minutos após a ingestão do ovo, podendo a criança apresentar sintomas na pele: urticária e angioedema, dermatite atópica, sintomas respiratórios (asma e rinoconjuntivite), sintomas gastrointestinais (vômitos, diarreia e dor abdominal) até a anafilaxia (quadro mais grave).

Como saber se meu filho tem alergia ?

A suspeita diagnóstica inicial é feita através da observação dos pais ao oferecer o alimento . Em caso de surgirem manifestações alérgicas , como vermelhidão e edema de lábios , os testes alérgicos são recomendados.

O tratamento baseia-se na exclusão do ovo da dieta durante 1 a 2 anos. Os pais deverão receber orientação verbal e por escrito quanto a fontes prováveis do ovo na alimentação habitual, sobre termos e sinônimos de ovo.

Se a criança estiver em aleitamento materno, a mãe deverá ser orientada a excluir ovo de sua dieta.

E as vacinas que levam ovo?

• A vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) já não contém mais a proteína do ovo e pode ser aplicada tranquilamente sem nenhum problema.

• A vacina da gripe pode ser administrada com segurança a pacientes com alergia ao ovo.Nos últimos anos, tivemos avanços que permitiram reduzir substancialmente a quantidade de ovo utilizada na produção das doses.Com essa evolução, a probabilidade de um evento adverso alérgico ficou muito pequeno, quase nulo.

A vacina da febre amarela é a única que ainda possui restrições para alérgicos ao ovo . Não está contraindicada , mas deve ser analisado pelo pediatra quando e como tomar .

Atenção !

O consumo de ovo é indicado devido ao grande valor nutricional , a partir do sexto mês de vida . Recomenda- se a observação de sinais de alergia ( urticária , vermelhidão , edema ) e em caso de dúvida , relatar ao seu médico.

A ingestão do ovo não serve para “acostumar o corpo ” e poder tomar a vacina da febre amarela , mas para diagnosticar possíveis alérgicos antes da aplicação .

Fica a dica .

Tomar paracetamol reduz a eficácia da vacina

As vacinas aplicadas nas crianças com frequência trazem alguns efeitos colaterais , sendo os mais comuns a febre e dor no local da aplicação.

Para evitar os efeitos colaterais , os pais lançam mão do uso de antitérmicos ANTES da aplicação da vacina . Entretanto , a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo contra indica essa prática baseada em um estudo publicado na revista científica The Lancet .

Os cientistas analisaram justamente a ação do princípio ativo paracetamol no organismo quando ministrado a uma criança logo após a vacinação. Dos 459 bebês saudáveis analisados, 226 receberam três doses profiláticas (ou seja, antes da febre aparecer) de paracetamol a cada 6 ou 8 horas durante as primeiras 24 horas após a vacinação. Neles, a concentração de anticorpos ficou mais baixa do que naqueles que não tomaram o antitérmico.

Com um menor número de anticorpos , a eficácia da vacina fica reduzida . Especialistas concordam que a febre é uma resposta natural do corpo e estimula a produção das nossas células de defesa . Por isso a febre não deve ser prevenida , mas apenas tratada .

Após a aplicação e quando o bebê já estiver em casa, você pode aproveitar dos métodos de alivio de dores caseiros:

• Fazer compressas com um pano úmido e frio ajuda muito, o pano pode ser molhado em água e colocado na geladeira, depois de torcido, ele estará bem frio e pode ser passado na região.

• Se preferir pode também utilizar gelo embrulhado em uma toalha.

• Antitérmico , paracetamol ou dipirona, somente se houver febre e não antes do surgimento dos sintomas .

Fica a dica.

Diferenças entre a vacina do posto de saúde e da clínica particular

O Programa Nacional de Imunizações, promovido pelo Ministério da Saúde, é considerado um dos melhores do mundo. As vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são gratuitas e estão disponíveis para todos .

As clínicas privadas, por outro lado, oferecem algumas vacinas que não são disponibilizadas pelo SUS, mas que também são aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e fica a critério dos pais decidir entre posto ou na clínica. Como escolher ?

Por que as vacinas são diferentes : SUS e particular?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), questões de custo e de capacidade de produção dos laboratórios não permitem que o governo disponibilize todas as vacinas para toda a população. Sendo assim, o Ministério da Saúde estabelece prioridades, com foco nas doenças que mais acometem a população e nas faixas etárias com maior risco de adoecer e apresentar complicações.

Vacinas penta ou hexavalente ?

O calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) indica que os bebês aos dois, quatro e seis meses de idade sejam imunizados contra seis doenças: difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, hepatite B e Haemophilus influenzae do tipo b .

No caso do SUS, os usuários recebem a pentavalente + hepatite B e, na rede privada, já é oferecida a hexavalente. São basicamente duas diferenças:

A diferença não se limita a proteção , mas quanto ao número de picadas : na particular toma somente 1 ( hexavalente ) e no posto toma a pentavalente + vacina hepatite B

A vacina do SUS é feita com partes inteiras das bactérias e dos vírus, já a oferecida pela rede privada a vacina é acelular. A eficácia e segurança são similares, mas os efeitos adversos são menos frequentes e intensos quando se usa a acelular.

Vacina Rotavírus

São duas doses para proteger o seu filho dos quadros de diarréia e vômitos provocados por esta doença . Assim como na gripe , a doença pode ser causada por uma variedade de tipos vírus .

Pelo SUS a vacina protege contra 1 tipo de vírus ( o mais comum ) e na clínica a proteção é contra 5 tipos de vírus .

São vacinas diferentes. Mas a que oferecemos pelo SUS protege contra o tipo de vírus mais prevalente no país.A vacina monovalente acaba fazendo uma proteção cruzada contra outros sorotipos em cada dose. Claro que ela tem uma eficácia menor do que a pentavalente, que é mais completa. Mas ambas são boas.

Vacina da meningite

Meningocócica C e ACWY

A principal diferença entre as duas vacinas é que a oferecida pelo SUS contém proteção somente contra a bactéria Neisseria meningitidis do grupo C. Já a “meningocócica conjugada ACWY” é quadrivalente e também oferece proteção contra os meningococos dos grupos A, W e Y , mais completa .

Meningite B

Oferecida apenas em clínicas particulares. Recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), protege contra a meningite bacteriana causada pelo meningococo b.

Vacina pneumocócica

Protege contra pneumonia, meningite e otite média aguda. A conjugada (VPC 10), da rede pública, protege contra 10 subtipos de pneumococos. Já a vacina pneumocócica conjugada (VPC 13), da rede privada, irá proteger contra 13 subtipos.

Qual eu devo dar?

Cabe à família avaliar cada necessidade junto ao pediatra. Deve-se buscar na rede privada aquilo que não está no SUS.

Pode dar uma no posto e outra na clínica ?

Não . Como as vacinas são diferentes , acelulares e com tipos de vírus diferentes , não é recomendado intercalar a vacina do posto com a da clínica particular .

Vacinas sobrecarregam o sistema imunológico?

Você com certeza já ouviu por aí muitos mitos e verdades das vacinas. Coisas que afirmam que as vacinas podem matar, causar câncer ou autismo em crianças pequenas. Propagadas pela internet e redes sociais , estas informações com falsas alegações sem fundamento científico podem levar pais a questionarem a eficácia e a necessidade da vacinação.

No Brasil a vacinação nas crianças é obrigatória . São 27 tipos de vacinas disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e caso uma criança não seja vacinada , os pais podem responder ao Conselho Tutelar por negligência .

Mitos e verdades

Faz mal ?

Vacina é um remédio. E, como qualquer outro, pode apresentar contraindicações e efeitos colaterais. Na maioria dos casos, alérgicos a um componente do medicamento ou pacientes imunossuprimidos (caso de quem enfrenta câncer ou tem AIDS) não podem receber injeção. Mas e quanto a indivíduos com a saúde em dia?

Algumas vacinas têm efeito colateral, sim, como febre ou dores. Mas, a nível de saúde pública, não há justificativa para deixar de vacinar uma criança. Isso pode causar surtos e infecções de doenças já erradicadas e que estão presentes em outros países.

Já que o meu filho só fica em casa , eu posso deixar a vacinação para mais tarde.

Não .É importante saber também que os calendários de vacinação baseiam-se em estudos que mostram as idades em que os bebês passam a estar mais suscetíveis a determinadas doenças. Um exemplo é a vacina que protege do sarampo: ela só é indicada após 1 ano de vida, porque até essa idade os bebês ficam protegidos pelos anticorpos maternos. O mesmo não acontece, por exemplo, com doenças como poliomielite, difteria, coqueluche, meningites e pneumonias. Por essa razão tais vacinas devem ser aplicadas o mais precocemente possível.

Vale destacar que o fato de a criança não ir à escola não reduz a zero o risco de adoecimento, pois os pais, avós, tios, babá, irmãos mais velhos, primos, entre outros, carregam na garganta vírus e bactérias que podem ser transmitidos, mesmo que eles não estejam doentes.

A amamentação não protege o meu filho?

Não de forma ampla e prolongada. A amamentação pode oferecer proteção direta por meio da transferência de anticorpos através do leite materno (desde que a mãe os tenha). Entretanto, essa proteção é temporária e limitada. Como nos primeiros meses de vida o organismo do bebê já tem condições de responder aos estímulos das vacinas, produzindo anticorpos específicos contra diversas doenças, é de fundamental importância vacinar.

A vacina pode causar doenças ?

Não.Esse é um dos argumentos do movimento antivacina, rechaçado, porém, por especialistas. A explicação seria que, muitas vezes, o jovem apresenta sintomas de uma doença não identificada, que os pais associam como reação à vacina. Ou seja, fazemos relações de causa e efeito em situações que, não necessariamente, estão relacionadas.

Há quem fale que depois da vacina contra gripe você pega gripe. Mas a gente sabe que isso não faz sentido, porque a vacina tem um vírus morto.

Obrigar a criança a levar uma série de vacinas consecutivas não sobrecarrega o sistema imunológico?

Não .Os bebês desenvolvem a capacidade de responder a antígenos estranhos ao organismo antes mesmo do nascimento.

Estimando-se a quantidade de vacinas às quais uma criança seria capaz de responder em determinado momento, calcula-se, de um ponto de vista teórico, que esse número seria de aproximadamente 10 mil. Se 11 vacinas fossem aplicadas simultaneamente, somente 0,1% do sistema imune seria utilizado.

Vacinar pode levar ao autismo?

Não .Essa notícia foi dada após um estudo fraudulento feito por um médico , já desmentido por uma dezena de especialistas .

Há mercúrio nas vacinas ?

Verdade , mas o mercúrio está presente em pequenas doses para evitar a proliferação de fungos e bactérias e outros micro-organismos . A Organização Mundial de Saúde recomenda o uso por considerar o mercúrio seguro e não cumulativo , já que ele é liberado rapidamente após aplicação da vacina.

Não precisa tomar vacina para doenças menos graves .

Não.Deixar de aplicar a vacina da catapora ou caxumba por considerá-las doenças de menor gravidade é errado. As duas doenças podem causar complicações irreversíveis e com sequelas graves.

Vacinar é um ato de amor ao seu filho e a comunidade. Os especialistas ressaltam que a decisão dos pais por não vacinar seus filhos não é individual, já que ela impacta toda a sociedade ao redor.

Quando uma mãe ou pai assume que não vai vacinar sua criança – e isso é um direito deles – eles não estão colocando em risco só a vida do filho, mas de outras crianças também, de toda uma população.

Fica a dica.

Crianças precisam reforçar vacina contra febre amarela em 2020

Para aumentar a eficácia da vacina contra febre amarela, o Ministério da Saúde instituiu um reforço para crianças com quatro anos. Desde primeiro de janeiro, a recomendação é que crianças que se vacinaram entre nove e 12 meses de idade voltem nas unidades de saúde para receberem o reforço.

A preocupação do Ministério da Saúde aumentou depois de confirmação da morte de 38 macacos por causa da doença nos Estados do Paraná (34), São Paulo (3) e Santa Catarina (1) nos últimos seis meses.

O que é febre amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa.

Aonde tem dengue , tem o mosquito transmissor da febre amarela .

Sintomas

Os sintomas da doença variam muito. Podem ser leves a ponto de serem confundidos com os de uma virose banal e regredir espontaneamente, ou podem evoluir para complicações graves e morte.

Febre com calafrios, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares muito fortes, cansaço, vômito e diarreia são os sintomas mais comuns . Muito semelhante ao quadro clínico de dengue e chikungunya , a diferença está na pele e os olhos do doente , que adquirem um tom amarelado próprio da icterícia. Daí, o nome febre amarela.

Icterícia progressiva, hemorragias, comprometimento dos rins , do fígado , do pulmão, problemas cardíacos e encefalopatias , com convulsões e delírios são sintomas mais graves da doença, que podem levar à morte.

Vacinação

As crianças são vacinadas aos 9 meses de idade e este ano uma nova recomendação do Ministério da Saúde solicita uma segunda dose da vacina aos 4 anos de idade .

Extraído do documento técnico 09/01/2020 emitido pela Secretaria de Saúde do Estado de SP

Crianças acima de 5 anos não necessitam de uma segunda dose . A recomendação é clara : somente nas menores de 4 anos será realizada a dose de reforço .

Fica a dica .

Vacina de rotavírus pode levar ou piorar a alergia a proteína do leite de vaca?

Recentemente recebi uma mensagem de uma mãe em dúvida sobre vacinar ou não sua filha contra o rotavírus . Estarrecida , a orientei não seguir fake news e parentes desatualizados , mas para minha surpresa a sua recomendação vinha da pediatra da criança .

Nas redes sociais, é fácil ler depoimentos de pais e mães cujos filhos ( segundo eles) sofreram reações graves à vacina ou comentários sobre ” conheço alguém ” ou “fiquei sabendo do filho de uma pessoa ” . E para esse tipo de notícia viralizar não custa muito.

Mas não são apenas crenças ou falta de vacinas que fazem com que a carteira de vacinação de algumas crianças brasileiras esteja desatualizada. Ainda que seja raro encontrar pais contrários à vacinação como um todo, existem famílias que optam por “pular” algumas delas. O medo dos efeitos adversos é o principal motivo. Entre elas, está a que combate o rotavírus.

Mas e quando o pediatra passa uma desinformação sobre vacina ?

Mitos sobre a vacina

Em nota conjunta , as Sociedades Brasileiras de Imunizaçoes (SBIm), de Alergia e Imunologia (ASBAI) e de Pediatria (SBP) – por seus Departamentos Científicos de Imunizaçoes, Alergia e Alergia alimentar , emitiram uma nota para prestar esclarecimentos sobre a vacina .

…”Nao há estudos publicados que demonstrem aumento ou desencadeamento de alergia a proteína do leite de vaca em crianças vacinadas contra o rotavírus”…

Mas e o sangue nas fezes ?

Um efeito colateral raro da vacina é a presença de sangramento nas fezes – a cada mil crianças , uma pode apresentar esse sintoma . Mas mesmo a presença do sangramento não contraindica doses futuras . Ele é autolimitando e sem intercorrências , mas infelizmente até na Unidade Básica de Saúde alguns profissionais têm orientado mães a suspenderem as demais doses .

No Simpósio Internacional Anual sobre Rotavírus realizado em 2016 em momento algum se estabelece uma relação vacina rotavírus e alergia ao leite . A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) endossa o posicionamento do Ministério da Saúde brasileiro ao esclarecer que essa vacina não contém a proteína do leite de vaca em sua composição. Tampouco há evidências científicas do desenvolvimento de alergia ao leite desse animal após a administração do produto.

Por que dar ?

Mas e se o meu filho tiver boa condição de higiene , preciso dar mesmo assim? A resposta é sim!

À medida que as doenças são erradicadas, a população acha que não precisa mais ser imunizada. Muitos pais nunca viram doenças graves, como o sarampo e a poliomielite, exatamente porque elas deixaram de existir. Assim, a população começa a achar que essas doenças não são graves ou não têm importância.

A infecção pelo rotavírus é a principal doença diarreica grave em crianças, sendo responsável por grande número de internações. Pode, ainda, levar ao óbito. Sem contar que tem alta capacidade de disseminação, causando surtos. Segundo especialistas , a vacinação já reduziu em 22% as mortes por diarreia em crianças de até 5 anos.

Fica a dica .

Comissão aprova prisão de pais que não vacinarem seus filhos

A vacinação de crianças é uma obrigação dos pais e, caso não seja cumprida, a família pode ser perder benefícios de programas sociais, levar multas e até mesmo ter a guarda do filho suspensa.

Os pais que não vacinam seus filhos são negligentes e, portanto, devem ser responsabilizados pelas consequências dos seus atos. Se a criança vier a falecer em virtude de uma das doenças cobertas pela vacinação obrigatória, efetuada gratuitamente nos postos de saúde, pode caracterizar-se a morte por negligência.

O problema de se vacinar ou não uma criança está muito além do muro da sua casa . Não é uma decisão unilateral , pois este tipo de atitude compromete toda a sociedade . Uma criança não vacinada pode ser responsável por um surto da doença .

Por isso , A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3842/19, que tem como objetivo a detenção de 1 mês a 1 ano para os pais que deixarem de vacinar uma criança ou adolescente. De acordo com o site da Câmara dos Deputados, a proposta será adicionada ao Código Penal, como crime de “omissão e oposição à vacinação”.

A pessoa será presa por omissão ou oposição, sem fundamentos, às vacinas previstas nos programas de imunização em crianças ou adolescentes submetidos ao seu poder familiar, ou tutelado.

Além da pena e detenção de 1 mês a 1 ano, a pessoa terá que pagar uma multa. A pena também vale para quem fizer divulgação de notícias falsas sobre vacinação.

É o caso do crescimento de grupos no Facebook que divulgam opiniões pessoais ou informações não comprovadas cientificamente sobre supostos perigos na vacinação infantil (ou mesmo para adultos), o que tem estimulado cada vez mais gente a não imunizar seus filhos.

Atenção !

Mudança no calendário vacinal devido ao surto de sarampo

Devido à explosão no número de casos de sarampo no no Brasil ( mais de 11 estados declararam surto ) o Ministério da Saúde passou a recomendar a vacina para TODAS as crianças de 6 meses a 11 meses de idade .

Bebês de 6 meses a 1 ano de idade devem ser vacinados. Antes do surto de sarampo, a primeira dose da vacina era dada com 1 ano de idade e uma dose de reforço era aplicada aos 15 meses. Agora ficou assim: primeira dose entre 6 meses e 1 ano. As outras doses continuam valendo: uma dose com 1 ano e um reforço com 15 meses. Bebês que estão entre 11 meses e 1 ano devem tomar a vacina e aguardar 30 dias para fazer a outra dose.

Quem tem entre 15 e 29 anos deve ser vacinado, independentemente de estar com a carteira vacinal em dia. Esta determinação é muito importante, pois este é o grupo de pessoas que mais está sendo acometido pela doença.

Segundo o Ministério, três estados estão com surto ativo da doença: São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. São Paulo lidera o ranking com o maior número de infecções, representa 82% de todos os registros.

Quem não toma?

Pessoas que estão com imunossupressão por quaisquer razões. Nestes casos, recomenda-se que se converse com o médico para receber as orientações individualizadas a cada caso em especial e gestantes e bebês COM MENOS de 6 meses NÃO devem tomar a vacina.

Não temos estudos específicos para essa faixa etária, que é naturalmente um pouco mais frágil e está com o sistema imune no começo do desenvolvimento. Embora a vacina seja muito segura para o restante da população, não dá usar em bebês com menos de 6 meses .

Mas há um jeito simples de proteger essas crianças: vacinar as gestantes e as puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz). Ao receber a injeção, a mãe produz anticorpos contra os vírus da gripe, que então são repassados ao recém-nascido. Não à toa, as duas turmas integram o público-alvo da campanha.

Além disso, os médicos pedem para as pessoas que convivem com o bebê também se imunizarem. Isso cria uma barreira de proteção em que o vírus nem sequer entra em casa.

Quem está amamentando PODE tomar a vacina. As mulheres que pensam em engravidar devem aguardar pelo menos 1 mês depois de receberem a vacina.

Mas e as outras vacinas do bebê , como fica?

Bebês de 9 meses que ainda não tomaram a vacina da febre amarela: tomem PRIMEIRO a vacina do sarampo, aguardem 30 dias e DEPOIS tomem a da febre amarela.

Aqueles que já tomaram a vacina da febre amarela devem aguardar pelo menos 30 dias para fazer a vacina do sarampo.

A vacina é segura e é, de fato, a única forma comprovadamente eficaz para se proteger do Sarampo.

Meu filho tomou com 1 ano e 1 ano e 3 meses , também precisa de outra dose ?

Não ! Crianças vacinadas , com o esquema completo de duas doses não precisa tomar outro reforço .

Por que os adultos devem se vacinar?

Não seja responsável pelo surto de sarampo ! Um adulto não vacinado pode contaminar dezenas de pessoas próximas a ele . Trata-de da sua família e dos seus parentes mais próximos , principalmente filhos , sobrinhos e avós .

Crianças abaixo de 6 meses e gestantes não podem tomar a vacina mas podem ficar doentes ! Por isso é fundamental que as pessoas próximas estejam imunizadas e protegidas contra a doença .

O sarampo mata e não tem tratamento .

Surto de sarampo , socorro !

O Brasil registra 1.680 casos de sarampo no país em 88 municípios e os bebês abaixo de 1 ano são as maiores vítimas, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (20). Desse total, 1.662 ocorrências foram registradas no Estado de São Paulo, o que equivale a 98,9% dos casos no país.

A faixa etária mais acometida é a dos menores de 1 ano de idade, porque a criança ainda não recebeu uma dose da vacina.Depois das crianças, outra faixa etária afetada é a de jovens entre 15 e 29 anos. Não há mortes confirmadas. 

O maior problema, no entanto, envolve as crianças, que têm o sistema imunológico mais frágil. Entre elas, quadros de pneumonia, convulsões e morte são mais comuns.

O sarampo está longe de ser uma doença leve, como às vezes se propaga nas redes sociais. Antes do surgimento da vacina e das campanhas , ele foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo.

Tomei a vacina, estou protegido ?

A proteção conferida pela vacina é alta. Mais de 90% dos sujeitos que recebem as duas doses criam um bloqueio duradouro contra o vírus.

Fora isso, ela é segura. E, mesmo nos poucos casos em que gera reações adversas, pode ter certeza: eles são bem menos preocupantes do que a doença em si.

Crianças que já receberam as duas doses da vacina não precisam tomar uma terceira dose . Já adolescentes acima de 15 anos e adultos sem comprovação vacinal , devem tomar uma dose extra.

E os bebês menores de 6 meses?

Se a mãe se vacinou ou pegou sarampo alguma vez na vida, terá anticorpos contra ele. E essas unidades de defesa passam para o filho através do aleitamento materno.

Para reduzir o risco de contrair sarampo , às mães devem evitar lugares aglomerados ( igrejas , shopping , festinhas de aniversário) e principalmente o pronto atendimento .

Sintomas

O primeiro sinal da doença geralmente é a febre alta, que começa entre 10 e 12 dias após a exposição ao vírus e dura de 4 a 7 dias. Na fase inicial, o paciente pode apresentar secreções no nariz (“nariz escorrendo”), tosse, olhos vermelhos e aquosos.

Após vários dias, surge o exantema (erupção cutânea), geralmente no rosto e na parte superior do pescoço. Durante aproximadamente três dias, essas erupções na pele se espalham, atingindo eventualmente as mãos e os pés. O exantema dura de cinco a seis dias, desaparecendo em seguida.

Por que é grave ?

A doença não tem cura . A maioria das mortes por sarampo ocorrem por complicações associadas à doença. São mais frequentes em crianças menores de cinco anos ou em adultos com mais de 30 anos. As complicações mais graves incluem cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia.

Por que estamos com surto de sarampo ?

Não há estudo que comprove que haja mutação do vírus e nem evidência de falha vacinal. A disseminação da doença está associada a falta de vacinação , em grande parte , decorrente de grupos anti-vacinas espalhados pelo Brasil .

Vacina de sarampo é permitida para alérgico ao leite de vaca ou ovo ?

Devido ao surto de sarampo que está acontecendo no estado de São Paulo, a recomendação oficial é atualizar a carteira de vacinação para prevenir a doença. Essa orientação serve não só para as crianças, como também adolescentes e adultos.

A vacina do sarampo é tríplice , ou seja , previne contra 3 doenças : sarampo, caxumba e rubéola. Segundo a recomendação oficial, por ser de alto contágio, é preciso que pelo menos 95% das pessoas tenham sido vacinadas no Brasil para que o sarampo não se espalhe. Caso contrário, basta ter uma única pessoa não vacinada em uma cidade para que o vírus trazido por um infectado consiga chegar a ela. 

A primeira dose da vacina tríplice viral deve ser ministrada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, uma dose da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), que corresponde à segunda dose da vacina tríplice e uma dose da varicela. Caso haja atraso na vacinação, crianças até quatro anos de idade ainda poderão receber a vacina com o componente varicela.

Casos suspeitos de sarampo, gestantes, crianças menores de 6 meses de idade e imunocomprometidos não devem receber a vacina. A gestante deve esperar para ser vacinada após o parto. Quem está planejando engravidar, deve primeiramente colocar a vacinação em dia e aguardar pelo menos um mês após a última dose.

E os alérgicos ao leite e ao ovo ?

O Ministério da Saúde orientou há cerca de 4 anos atrás às secretarias estaduais e municipais de saúde para evitar vacinar com a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) crianças com histórico de alergia a leite de vaca, devido à presença de traços de lactoalbumina encontrados no lote produzido pelo laboratório Serum Institutte of India Ltd.

No ano seguinte , em 2015 , o laboratório da fundação Osvaldo Cruz passou a produzi-las e as crianças alérgicas a proteína do leite de vaca voltaram a ser imunizadas . Portanto , não há nenhuma restrição da vacina tríplice aos alérgicos a proteína do leite de vaca .

E quanto ao ovo ?

Segundo a ASBAI ( Associação Brasileira de Alergia e Imunologia ) , a vacina tríplice viral apresenta quantidades desprezíveis de proteína de ovo. Em muitos estudos, pessoas com alergia ao ovo, mesmo aquelas com hipersensibilidade grave, tiveram risco insignificante de reações anafiláticas. Portanto, não há contraindicação ao uso da vacina tríplice ou tetra viral em pacientes com história de alergia grave ao ovo. Testes cutâneos com a vacina não estão recomendados.

Alguns profissionais de saúde orientam a ingesta do ovo antes da aplicação da vacina , mas isso não é necessário . Ao contrário da vacina da febre amarela , que apresenta grande concentração de ovo , a do sarampo não tem .

Lembre-se : o sarampo pode ser grave, com acometimento do sistema nervoso central e pode complicar com infecções secundárias como pneumonia e até à morte. As complicações atingem mais gravemente os desnutridos, os recém-nascidos, as gestantes e as pessoas portadoras de imunodeficiências.

Vacine-se.